Publicado: 03 Julho, 2026 – 10h42 | Última modificação: 03 Julho, 2026 – 10h59
O contingente de trabalhadores por aplicativos no Brasil já atinge a marca de 1,7 milhão de pessoas consolidando-se como uma parcela expressiva da força de trabalho nacional.
Longe de uma verdadeira autonomia, a categoria enfrenta uma dura rotina marcada por longas jornadas — alguns registram média de 45 horas por semana — bem como, as transferências total dos riscos e custos de manutenção dos veículos para o trabalhador(a).
Com o objetivo de impulsionar a formação política, a identidade de classe e fortalecer a articulação dos sindicatos de motoristas e moto entregadores por aplicativos do Brasil, a capital potiguar sedia, entre os dias 1º e 3 de julho, Encontro Nacional de Formação voltado à categoria, com centralidade na organização coletiva e no enfrentamento à exploração mediada pelas plataformas digitais.
“O encontro é um divisor de águas. Sindicatos que se organizavam de forma individual, lutando por reconhecimento, passam a ter muito mais força e representatividade coletiva. Participar de uma formação dirigida pela CUT para o setor de motoristas por aplicativos é um passo fundamental para a nossa categoria. É um marco na trajetória da luta que travamos todos os dias declarou Carlos Cavalcanti, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Aplicativos de Transporte SINTAT-RN.
Na última Conferência Internacional do Trabalho (CIT) da Organização Internacional do Trabalho (OIT) foi aprovada a Convenção Internacional sobre Trabalho em Plataformas Digitais, considerada um marco para milhões de trabalhadores e trabalhadoras que atuam por meio de aplicativos em todo o mundo. Ao longo das negociações, a bancada dos trabalhadores, com participação ativa da CUT, atuou para fortalecer as garantias destinadas a motoristas, entregadores e demais profissionais que atuam por meio de plataformas digitais.
O encontro reune lideranças e formadores de diversas regiões do país para debater as transformações e desafios no mundo do trabalho, tendo como base a legítima concepção sindical cutista, resgatando o papel histórico e político dos sindicatos. O evento ocorre nas dependências do SINTERN.
Cida Santos, Conselheira Fiscal do SINTRAPLI-RS, destacou a importancia do encontro para a conexão entre os sindicatos da categoria “Reunir todos os sindicatos que existem hoje em nossa categoria nos permite trocar ideias e compartilhar os meios de como estamos atuando. Essa troca de experiências — como dialogar com companheiros do Rio Grande do Norte — é fundamental para nós. Hoje, já atuamos fortemente no Sul e em Santa Catarina, e a chegada desses outros sindicatos vai agregar muito para o fortalecimento da nossa categoria. A CUT é uma central que nos dá muita credibilidade nesse processo.”
Formação
A atividade integra o projeto estratégico “Formação de Formadores e Formadoras: Educação, Organização e Ação para Novas Estruturas de Trabalho no Brasil”. A iniciativa resulta de uma cooperação internacional entre a CUT e o Instituto de Educação da Central Sindical Alemã (DGB BW), correspondente ao ciclo 2024/2026, sob a coordenação da Secretaria Nacional de Formação e das Escolas de Formação Sindical da Central.
Como etapa preparatória essencial para este encontro presencial, a Secretaria Nacional de Formação promoveu, no último trimestre, um ciclo intensivo de 10 aulas virtuais.
A programação do encontro conecta as bases históricas do movimento operário às urgências impostas pela uberização e plataformização do trabalho. Estão em pauta debates fundamentais como a trajetória das lutas trabalhistas no Brasil, os princípios organizativos e a história da CUT, estratégias para o fortalecimento do trabalho de base e os desafios da organização sindical diante da nova realidade digital, além de análises críticas sobre o Projeto de Lei nº 12/2024.
Construção Coletiva e Inclusão
O encontro presencial reúne cerca de 35 representantes e dirigentes de sindicatos de motoristas e entregadores vindos de estados como Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rondônia, Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte. A mesa de debates conta ainda com a contribuição direta de educadores e dirigentes da CUT Nacional, da Escola Sindical Nordeste Marise Paiva de Morais e da Escola Sindical 7 de Outubro.
Para Graça Costa, secretária nacional de Organização e Política Sindical da CUT, o encontro consolida uma rica troca de experiências regionais. “Cada dirigente traz a realidade de mobilização de seu estado e nós apresentamos a estrutura organizativa da nossa Central. É um processo formativo que alinha concepção e prática sindical. Nosso foco é instrumentalizar as direções para elevar a consciência de classe e municiar a luta firme por regulamentação profissional e pela garantia de direitos fundamentais para a classe trabalhadora”, destacou.
Rosane Berttoti, secretária nacional de Formação da CUT, reafirmou o papel indispensável da formação para o avanço das pautas da classe trabalhadora. “A formação sindical é um pilar da nossa estratégia de organização em rede nacional. Frente a uma categoria que se expande e se organiza a cada dia, nosso compromisso político é fortalecer e ampliar de forma massiva a participação de jovens, mulheres, negros e negras, pessoas com deficiência e a comunidade LGBTQIA+ nos processos de negociação coletiva. É essa diversidade que amplia nossa capacidade real de mobilização e resistência”, apontou.
Eliane Bandeira e Silva, Coordenadora Pedagógica da Escola de Formação da CUT Marise Paiva de Morais defende a organização dos trabalhadores e trabalhadoras por aplicativos “É um dos maiores desafios do movimento sindical na atualidade, especialmente na região Nordeste, onde a informalidade e as desigualdades sociais são ainda mais acentuadas. A formação política cumpre um papel decisivo nesse processo, pois fortalece a consciência de classe, prepara novas lideranças e reafirma que nenhum modelo de trabalho pode estar acima dos direitos humanos e trabalhistas”.
Na Escola de Formação da CUT Marise Paiva de Morais “acreditamos que é pela educação sindical, pela organização coletiva e pela luta — com o olhar atento às realidades do povo nordestino — que construiremos uma regulamentação que assegure trabalho decente, proteção social e dignidade para quem move diariamente a economia do país, destacou”.
Marron Wagner Menezes, secretário nacional de Tranporte e Logística comenta sobre o papel da CUT “Foi um momento muito importante, não apenas para o ramo do transporte da CUT e para a organização dos trabalhadores, mas também para que possamos olhar com atenção e ter uma visão diferente sobre essa nova realidade e os novos métodos de trabalho que surgem. Essa troca — levar a experiência cutista até eles e também receber o aprendizado deles enquanto trabalhadores — é extremamente gratificante. Para nós, do ramo do transporte, essa interação com os companheiros é fantástica. Fortalece a CUT, a nossa formação e a nossa organização, trazendo mais uma categoria que ajudamos a estruturar e a se estabelecer. Como consequência, fortalecemos a classe trabalhadora do Brasil na luta por direitos, por benefícios e por uma sociedade melhor.”
As ações do curso são executadas de ponta a ponta pela Rede Nacional de Formação, por meio das escolas regionais e secretarias estaduais. O refinamento deste conteúdo reflete o acúmulo político obtido no eixo de Formação de Formadores Continuada, com ênfase histórica nas bases de Negociação e Contratação Coletiva (NCC) no Brasil e nas bandeiras históricas da classe trabalhadora.









