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CUT-SP celebra 40 anos de organização e resistência das mulheres cutistas

redacao by redacao
01/09/2026
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CUT-SP celebra 40 anos de organização e resistência das mulheres cutistas
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Publicado: 31 Agosto, 2026 – 13h18 | Última modificação: 31 Agosto, 2026 – 13h33

Os passos das mulheres trabalhadoras da CUT-SP vêm de longe e completam 40 anos neste 31 de agosto. A Comissão sobre a Questão da Mulher Trabalhadora da Central Estadual foi criada nesta data em 1986, poucas semanas após o 2º CONCUT, que deliberou a implementação da Comissão Nacional. A comissão estava vinculada à Secretaria de Política Sindical.

“A organização das mulheres da CUT-SP foi pioneira, surgindo antes mesmo da implementação formal da Comissão Nacional, ocorrida em março de 1987”, relembra Marcia Viana, secretária da Mulher Trabalhadora da CUT-SP.

Para celebrar essas quatro décadas de luta, a CUT-SP realizou, nesta segunda-feira, 31, um encontro online com cerca de 60 participantes e algumas das protagonistas dessa organização das mulheres cutistas, que abriu caminhos para maior participação e representatividade feminina no movimento sindical. Participaram do encontro o Coletivo de Mulheres Estadual e Nacional.

 

“Foram as mulheres que se organizaram, formularam propostas e fizeram com que a pauta de gênero entrasse na agenda sindical, enfrentando todas as resistências e desafios”, pontua Márcia.

O presidente da CUT-SP, Raimundo Suzart, participou do encontro e fez uma análise do papel dos homens na luta por igualdade.

“Destacamos a participação extremamente importante das mulheres para a defesa da democracia brasileira. Precisamos conscientizar que a luta é de todos e todas, a participação dos homens é muito importante, e precisamos avançar nisso”, reforça

Suzart destacou a importância das eleições para elaboração de políticas públicas para as mulheres. “Que esse ano possamos fazer nosso papel, elegendo candidatos que tenham compromisso com as mulheres”, ressalta.

A força da união das mulheres foi pontuada por Junéia Batista, ex-secretaria da Mulher Trabalhadora da CUT Brasil (2015-2023), que também esteve na reunião. “Estamos só no começo. É importante termos essa conversa sobre as coisas que precisamos conquistar. Agora queremos uma paridade empoderada, que pense na nossa agenda. Precisamos segurar a mão umas das outras, pensando na construção do que é uma vida sem violência, com direitos e igualdade”, reforça.

Cida Trajano, primeira secretária da Mulher Trabalhadora da CUT-SP, ressalta o impacto de reuniões como essa. “Estar com vocês é uma injeção, de vida, de esperança. Trabalhos muito, mas ainda nos deparamos com um local de trabalho ruim para as mulheres. Estamos atuando para mudar essa realidade”.

No encontro, Denise Motta Dau, membro da Comissão Nacional da Mulher Trabalhadora da CUT, entre 1991 e 2005,  fez uma análise das pautas reivindicadas pelas mulheres.

“Em 1986 já falávamos de salário igual para trabalho igual, e hoje avançamos nisso com a lei da igualdade salarial. Tivemos a coragem lá atrás de falar que as condições de trabalho impactam de forma diferente as mulheres. Muitas dessas lutas de hoje são fruto de todo esse debate, de todo esse acúmulo e dessa organização, que fizemos.”

A ex-secretária da Mulher Trabalhadora da CUT-SP, Ana Lúcia Firmino, (2015-2019), resgatou alguns nomes importantes nesta construção das mulheres no movimento. “Precisamos relembrar de Margarida Maria Alves. Foi também uma das precursoras na nossa luta no movimento sindical e na resistência das mulheres no reconhecimento dos direitos”, reforça. 

 

HISTÓRICO E CONQUISTAS

Apesar de a pauta das mulheres ter sido formalizada em 1986, os registros reforçam que elas foram atuantes e fundamentais para a criação da CUT em 1983. As mulheres não estavam em cargos de direção, mas eram diversas: trabalhadoras rurais, servidoras públicas, operárias, professoras e integrantes de diferentes categorias do setor privado.  

Durante o encontro, a primeira coordenadora da Comissão da Questão da Mulher Trabalhadora da CUT, Didice Godinho Delgado, relembrou da política de cotas aprovada na 6ª Plenária Nacional da CUT, em 1993. Na época, foi prevista uma cota mínima de 30% e máxima de 70% para cada gênero nas direções da Central. 

“Não foi uma concessão, foi resultado de muita luta. Ouvíamos dos homens: ‘Vocês já participam da CUT, o que mais vocês querem?’, e nós respondemos: “queremos participar das decisões”, relembra, Didice.

“Nossa organização continua sendo fundamental para o âmbito progressista no geral. Contem comigo, vocês estão de parabéns, estou junta nessa luta”, afirma Didice.

Em 2006, a estrutura da comissão se tornou a atual Secretaria da Mulher Trabalhadora. Para além da luta pela representatividade das mulheres no movimento sindical, por igualdade salarial e de oportunidades, a CUT sempre esteve presente nos debates sobre as desigualdades de gênero na sociedade. 

A campanha “Creche para Todos” foi uma das primeiras reivindicações após a criação da Comissão, em 1986. A ação deu luz à necessidade de uma política pública que apoiasse a distribuição da tarefa do cuidado, para que as mulheres pudessem ocupar o mercado de trabalho e os espaços de poder de forma plena. No 1º Encontro Nacional sobre a Questão da Mulher Trabalhadora, em 1988, a CUT aprovou o dia 12 de outubro como Dia Nacional de Luta por Creche.

Em 2012, uma nova conquista: o 11º CONCUT aprovou a paridade de gênero nos cargos de direção da Central. A decisão estabeleceu uma participação de 50% de mulheres e 50% de homens nas executivas da nacional e das estaduais. A política foi aplicada em 2015.

“A paridade foi fundamental, mas para além disso, queremos voto, queremos participar das decisões. Não queremos ser chamadas apenas para “assuntos de mulher”, queremos estar nas mesas de negociação, discutindo melhores condições de trabalho”, pontua Marcia Viana.

Os desafios das mulheres no mercado de trabalho e o aumento de casos de violência de gênero impulsionaram a criação do Protocolo de Prevenção e Ação em Casos de Discriminação, Assédio e Violência e a Campanha Permanente da CUT de Combate ao Feminicídio. 

“É uma ação esperada há muito tempo, onde a CUT assume o compromisso de garantir espaços livres de violência e com respeito a nós mulheres. Para que possamos nos sentir seguras no local de trabalho e fazer o trabalho político”, afirma Amanda Corcino, secretária da Mulher Trabalhadora da CUT. 

 

SAIBA MAIS:

Mulheres da CUT completam 40 anos de organização 

Especial 40 anos de lutas: da creche ao fim da 6×1 

 

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Fonte da matéria https://sp.cut.org.br/noticias/cut-sp-celebra-40-anos-de-organizacao-e-resistencia-das-mulheres-cutistas-1d49

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