Na noite do último domingo (9), enquanto a TV Band realizava o primeiro debate das eleições de 2026 para o governo do estado de São Paulo com apenas dois candidatos convidados, ativistas protestaram do lado de fora. Com cartazes e palavras de ordem, manifestantes da campanha “Queremos a Esquerda nos Debates” denunciaram a exclusão antidemocrática das candidaturas da esquerda socialista do processo eleitoral.
A Band decidiu realizar o encontro apenas com o bolsonarista Tarcísio de Freitas e o petista Fernando Haddad, deixando de fora a candidata do PSTU Vera Lúcia, terceira colocada nas pesquisas de intenção de voto, além dos outros candidatos da esquerda Vivian Mendes (UP), Carlos Machado (PCB) e Izadora Dias (PCO).
Para os manifestantes, a exclusão não é apenas uma questão de critérios de organização dos debates, mas uma demonstração das limitações antidemocráticas impostas à participação de setores que defendem projetos distintos daqueles representados pelos grandes partidos e pelos interesses econômicos dominantes.
Isso ocorreu em São Paulo, mas também em outros estados. É uma prática também que se estende às candidaturas à Presidência da República, com as emissoras de TV e demais órgãos da imprensa dando destaque às candidaturas do PT e da Frente Ampla, com Lula, e da extrema direita, com Flávio Bolsonaro. Abrem espaço e divulgam outras candidaturas da direita, mas inviabilizam completamente candidatos da esquerda como Hertz Dias, do PSTU, além dos candidatos Edmilson Costa (PCB), Samara Martins (UP) e Rui Costa Pimenta (PCO).
Campanha denuncia exclusão sistemática
O protesto foi uma iniciativa da campanha “Queremos a Esquerda nos Debates”, que conta com um abaixo-assinado (participe aqui), criada justamente para denunciar a exclusão de candidaturas da esquerda socialista dos debates promovidos pelos grandes grupos de comunicação. Uma exclusão consciente e recorrente por parte de emissoras como Band, Globo e Record.
Segundo os partidos de esquerda, as emissoras utilizam a legislação eleitoral como pretexto para impor a ausência de candidatos de partidos com pequena ou nenhuma representação no Congresso. Pela regra atual, o convite não é obrigatório para legendas com menos de cinco deputados federais. No entanto, mesmo esses critérios acabam funcionando de forma seletiva.
Em eleições anteriores, candidatos de direita pertencentes a partidos sem representação significativa no Congresso foram convidados para debates e receberam ampla exposição nos meios de comunicação.
Portanto, o fato é que os grandes conglomerados de mídia acabam influenciando o processo eleitoral ao ampliar a visibilidade de determinadas candidaturas e dificultar que outras apresentem suas propostas ao conjunto da população. “Promover um debate nacional sem a presença de todos os candidatos é um mecanismo que favorece alguns projetos políticos e marginaliza outros”, afirma o texto da campanha.
Legislação eleitoral feita para manter os de sempre
Além da exclusão dos debates, a campanha também questiona outros mecanismos antidemocráticos, como a cláusula de barreira, aprovada pelo Congresso, em 2017. A medida estabelece critérios mínimos de votação e representação parlamentar para que os partidos tenham acesso ao fundo partidário e ao horário eleitoral gratuito.
Mas, na prática, as regras foram feitas para manter os partidos já consolidados e impedir a construção de alternativas políticas que expressem os interesses dos trabalhadores e dos setores populares.
O resultado é um sistema eleitoral em que as candidaturas com maior estrutura econômica, apoio institucional e espaço na mídia partem de condições muito mais favoráveis do que aquelas ligadas às lutas sociais e sindicais.
A CSP-Conlutas apoia iniciativa
Reunião da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas declarou apoio à campanha, considerando que as candidaturas identificadas com as lutas da classe trabalhadora têm de ter espaço para apresentar suas propostas. A exclusão das candidaturas da esquerda socialista dos debates impede que milhões de trabalhadores tenham acesso a propostas construídas a partir das lutas concretas da classe trabalhadora. Uma situação antidemocrática e que só serve para manter os políticos de sempre, representantes dos ricos e poderosos.
Resolução aprovada pela Coordenação Nacional para as eleições de 2026 destaca que a CSP-Conlutas não aceitará a falsa polarização, apresentada como única opção nestas eleições, entre o projeto do PT/Frente Ampla e a extrema direita. O texto defende a necessidade de uma alternativa independente dos interesses dos patrões, dos banqueiros e do agronegócio, construída a partir das demandas dos trabalhadores do campo e da cidade, e, no processo eleitoral, a Central irá apresentar um programa classista, independente e de luta em defesa dos trabalhadores.
A campanha “Queremos a Esquerda nos Debates” segue recolhendo assinaturas (participe aqui), ampliando sua divulgação nas redes sociais e a mobilização seguirá durante o processo eleitoral, buscando pressionar emissoras e organizadores dos próximos debates. Vamos à luta!
Fonte da matéria https://mundosindical.com.br/Noticias/View.aspx?ID=69690








