O governo dos Estados Unidos, comandado por Donald Trump, confirmou nesta quarta-feira (15) a aplicação de um novo tarifaço sobre produtos brasileiros. Será aplicada uma tarifa de 25% sobre diversos produtos que são exportados aos EUA, a partir de 22 de julho, sob o pretexto de que o Brasil “mantém práticas discriminatórias” contra empresas norte-americanas.
Uma falácia. Dados comerciais entre os dois países revela que historicamente o balanço é significativamente mais favorável aos EUA. A nova lista de produtos tarifados, inclui açúcar, etanol de milho, máquinas e equipamentos, produtos siderúrgicos e metalúrgicos, entre outros. No entanto, tem uma lista de exceções com cerca de 2.000 itens como o café, a carne bovina, suco de laranja, componentes aeronáuticos, celulose e outros. Exatamente produtos que podem impactar a economia norte-americana.
Vale destacar ainda que a medida, tomada após a “investigação” comercial feita pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos), com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, tem entre as principais motivações o PIX brasileiro, acusado de “onerar ou restringir” empresas estadunidenses. No caso, empresas de cartão de crédito como Visa e Mastercard.
Rechaçar intervenção imperialista
É evidente que a decisão se trata de mais um capítulo da política agressiva adotada por Donald Trump contra países estratégicos para seus interesses econômicos e políticos. É o aprofundamento da ofensiva imperialista de Trump diante da crise econômica e da perda de influência global dos EUA, especialmente diante do crescimento de outras potências econômicas, como a China. Uma ofensiva que tem se dado no âmbito econômico, política e militar em todo o mundo.
Quem paga a conta são os trabalhadores. As novas tarifas podem reduzir exportações brasileiras e afetar empresas que dependem do mercado norte-americano. O resultado pode ser queda na produção, fechamento de postos de trabalho e aumento da pressão sobre salários e direitos.
A classe trabalhadora brasileira e todos os setores democráticos precisam rechaçar firmemente e reagir a mais este ataque imperialista contra a soberania nacional.
Extrema-direita é cúmplice de ataque ao Brasil
Vale destacar ainda que o tarifaço também tem motivação política. Embora o governo Trump alegue supostas justificativas comerciais para a medida, o anúncio acontece às vésperas do início do processo eleitoral brasileiro, buscando favorecer o pré-candidato da extrema-direita Flávio Bolsonaro (PL).
O senador bolsonarista por diversas vezes agiu diretamente para que os EUA retaliassem o Brasil, revelando não só seus objetivos eleitoreiros, mas a submissão aos interesses imperialistas em afronta à soberania nacional. Diante de pesquisas que revelam a repercussão negativa de sua postura junto à população, o filho 01 de Bolsonaro chegou a participar da audiência da USTR e defendeu o “adiamento” do tarifaço para depois das eleições.
Lula apostou em negociações e não aplicou Lei de Reciprocidade
Após o anúncio das tarifas, o governo Lula afirmou que pretende “defender os interesses do país” e reafirmou que tomará medidas para apoiar setores afetados. O governo também voltou a citar a Lei de Reciprocidade Econômica, aprovada para permitir que o Brasil responda retaliações ao país com ações semelhantes.
Na prática, porém, a lei não saiu do papel desde 2025, quando Trump anunciou o primeiro tarifaço. O governo alegou que preferia manter as negociações com Washington e “evitar o agravamento da crise diplomática”.
Mais do que isso, o governo brasileiro chegou a sinalizar a disposição para negociar temas estratégicos, como a exploração de minerais críticos e terras raras e questões ligadas à regulamentação das plataformas digitais. De nada adiantou, como se comprovou na prática.
É preciso enfrentar ingerência imperialista
O novo tarifaço mostra que os interesses dos EUA continuam se sobrepondo aos direitos dos povos e à soberania das nações. A resposta não pode ficar apenas nos discursos e negociações diplomáticas ou ser tema para disputas eleitorais, pois quem paga a conta é a classe trabalhadora.
Para a CSP-Conlutas, a defesa da soberania nacional exige medidas concretas contra a ofensiva dos Estados Unidos. É preciso que o governo Lula, de fato, aplique a Lei de Reciprocidade e outras ações de enfrentamento à ingerência imperialista de Trump.
Medidas como a suspensão da remessa de lucros e dividendos para multinacionais norte-americanas; a quebra de patentes; a interrupção imediata das negociações sobre minerais críticos e terras raras; a taxação e regulamentação das Big Techs; e a suspensão e auditoria da Dívida Pública. As empresas que ameaçarem fechar fábricas ou demitir trabalhadores devem ser estatizadas sob controle dos trabalhadores.
Só a ampla mobilização dos trabalhadores, com independência em relação aos governos e aos setores empresariais, pode enfrentar tanto as pressões de Trump, quanto os ataques promovidos pela extrema direita e o bolsonarismo e lutar pela aplicação dessas medidas que, de fato, podem defender os empregos, os direitos sociais e a soberania do país.
Fonte da matéria https://mundosindical.com.br/Noticias/View.aspx?ID=69498









