Publicado: 15 Setembro, 2026 – 16h55 | Última modificação: 15 Setembro, 2026 – 18h08
A sede da Central Única dos Trabalhadores (CUT) recebeu nesta terça-feira (15) dirigentes sindicais, trabalhadores, representantes de diversas centrais e políticos para a despedida de Artur Henrique da Silva Santos, ex-presidente da entidade, que morreu na segunda-feira (14).
Das 8h às 14h, centenas de pessoas passaram pelo saguão da Central para se despedir de Artur. Durante o velório, amigos, dirigentes e representantes do movimento sindical fizeram homenagens e relembraram momentos de sua trajetória. As falas destacaram a atuação política e sindical, mas também a amizade e a solidariedade que marcaram sua relação com companheiros de diferentes gerações.
Leia Artur Henrique: uma trajetória construída da luta sindical à presidência da CUT
O Presidente da CUT, Sérgio Nobre, destacou a dimensão humana de Artur e a forma como ele se relacionava com as pessoas ao seu redor.
“O Artur foi um militante extraordinário, um ser humano extraordinário, um companheiro muito solidário”.
Nobre também ressaltou a marca deixada pelo ex-presidente na história da Central, desde sua atuação na formação sindical em São Paulo até a presidência nacional.
“Foi um militante guerreiro que marcou profundamente a história da CUT, tanto na presidência nacional quanto na Secretaria de Formação da CUT São Paulo”.
A formação de novas lideranças foi uma das marcas mais fortes da trajetória de Artur. A vice-presidenta da CUT, Juvândia Moreira, foi uma das dirigentes que passaram por esse processo e lembra o compromisso do ex-presidente com a preparação política de quem chegava ao movimento sindical.
“Ele ajudou a formar muitas lideranças e tinha um compromisso com a classe trabalhadora, com a formação e com o Brasil. Deixa um ótimo legado, um grande modelo para a gente seguir e nos chama para esse exemplo de luta”.
A preocupação de Artur com as novas gerações também está presente na memória do secretário-geral da CUT, Renato Zulato. Ele conheceu o ex-presidente no início de sua militância e acompanhou seu trabalho junto a dirigentes que começavam a ocupar espaços no movimento sindical.
“Ele sempre foi muito preocupado com os novos dirigentes, com as companheiras e companheiros e com a juventude. Queria que os dirigentes conhecessem a história do movimento sindical e se aprofundassem nos temas atuais”.
A formação política caminhava, para Artur, ao lado da disposição para negociar. Segundo Zulato, a negociação coletiva ocupava lugar central em sua atuação.
“Ele sempre apostou muito na negociação coletiva. Foi um presidente da CUT que sempre procurou o diálogo, a conversa e incentivou a negociação”.
Dois mandatos à frente da CUT
Artur presidiu a CUT por dois mandatos. Nesse período, a Central participou de debates e negociações que resultaram em políticas importantes para os trabalhadores, entre elas a valorização do salário mínimo, lembrada pelo secretário de Administração e Finanças da CUT, Ariovaldo de Camargo.
“Conquistamos a política de valorização do salário mínimo, que é algo bastante importante na vida dos trabalhadores até hoje”.
Ariovaldo também recorda a firmeza de Artur diante das transformações do cenário político brasileiro e do avanço de movimentos de extrema direita.
“O Artur sempre foi muito firme na defesa intransigente da organização dos trabalhadores para enfrentar esses desafios”.
A firmeza, porém, não significava abrir mão do diálogo. A capacidade de buscar entendimentos em momentos de divergência é outra característica lembrada por Ariovaldo.
“Era uma característica muito forte do companheiro: a conciliação, sempre buscando os polos que pudessem estar em disputa, seja na CUT, seja no próprio partido ou no movimento sindical como um todo”.
Essa combinação entre convicção, diálogo e capacidade de construir consensos ajudou Artur a estabelecer relações em diferentes espaços do movimento sindical e político.
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, que também foi presidente da CUT no início dos anos 2000, destacou essa dimensão da trajetória. Ao lembrar a passagem de Artur pelo sindicato, pela presidência da CUT, pela Secretaria de Relações do Trabalho da Prefeitura de São Paulo e pela Fundação Perseu Abramo, ressaltou sua contribuição para pensar a organização sindical.
“Artur é uma importante liderança da nossa Central, uma grande referência. Não podemos esquecer sua passagem pela CUT, onde foi presidente e um dos grandes cérebros que pensaram a estruturação daquela importante entidade, sempre com uma visão ampla sobre o papel dos sindicatos”.
Uma despedida marcada pela memória e pelo afeto
No encerramento do velório, as homenagens ganharam um tom mais pessoal. Amigos e dirigentes lembraram não apenas o sindicalista e a liderança política, mas também o homem que estava presente nas relações construídas ao longo de sua trajetória.
“Vocês falaram muito da luta que ele teve, da formação e da quantidade de pessoas que ele formou. Meu pai sempre foi uma pessoa muito bem-humorada, de bem com a vida e para cima. Ele sempre falava para mim: ‘Eu quero que você seja feliz’. Meu pai não falava: ‘Eu quero que você seja X, eu quero que você seja Y’. Ele sempre dizia: ‘Eu quero que você seja feliz’. E me ensinou muito isso: a ser feliz e a amar o próximo. Se vocês gostam de alguém, se vocês amam alguém, se alguém tocou o coração de vocês, falem, abracem, porque é isso: a gente está aqui para amar os outros”, disse uma das fillhas de Artur aos presentes.








