Publicado: 04 Setembro, 2026 – 15h59 | Última modificação: 04 Setembro, 2026 – 16h28
Os senadores não podem dar as costas a uma pauta que tem apoio de mais de 70% da população brasileira
Vai ter mais rua. A CUT, em unidade com as demais centrais sindicais, definiu em reunião realizada na nesta sexta-feira (4), as ações imediatas para ampliar a pressão pela votação, ainda em setembro, da proposta que reduz a jornada de trabalho para 40 horas semanais e acaba com a escala 6×1, sem redução de salário. A PEC (Proposta de Emenda à Constituição) nº 221/2019 foi aprovada na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado por 23 votos favoráveis e quatro contrários, mas não foi levada ao Plenário da Casa, “por obra do lobby empresarial junto à oposição, liderada pelos senadores Flávio Bolsonaro e Rogério Marinho (PL-RN), coordenador de campanha do candidato do PL à presidência da República”, na avaliação do presidente nacional da CUT, Sergio Nobre.
“A proposta não foi votada no mesmo dia em que passou na CCJ porque os empresários operaram contra. Eles querem empurrar a votação para depois das eleições de outubro por saber que tem senador e senadora que vai trair a classe trabalhadora, vai trair o povo e votar contra o fim da escala 6×1 para atender a vontade dos patrões”, disse o presidente nacional da CUT.
“Isso é uma confissão de traição, é a prova cabal de que eles (os parlamentares) querem trair o povo. O senador fala que vota a favor do trabalhador e, depois, no dia seguinte, trai”, complementou Sergio Nobre.
Segundo o presidente da CUT, o Fórum das Centrais vai fazer uma ampla campanha de esclarecimento à população. “Definimos que, na luta pelo fim da escala 6×1, vamos expor e denunciar esse pessoal que está jogando contra o povo. Vamos colocar a campanha na rua para esclarecer a população do porquê o fim da 6×1 não foi para o plenário do Senado Os senadores não podem dar as costas a uma pauta que tem apoio de mais de 70% da população brasileira”, destaca Sergio Nobre.
Mobilização e Ruas
Além da campanha junto à opinião pública, a CUT ampliará sua ação institucional nos Estados. Também já está sendo encaminhado pedido de audiência com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, “para falar que queremos, assim como quase 80% da população quer, que a votação no Plenário da PEC da redução da jornada e do fim da escala 6×1 vá ao Plenário ainda neste mês de setembro”.
“Já estamos disparando uma orientação conjunta a todos os entes de base da CUT para que procurarem e marquem conversas com os senadores em seus Estados, em suas bases eleitorais, em especial, os que são candidatos à reeleição (dois terços do total)”.
“Esses parlamentares são nossa prioridade, vamos exigir deles que a PEC seja votada agora e lembrar a senadoras e senadores que quatro passam muito rápido e a memória do que eles fizeram ou deixaram de fazer vai ficar”, acrescentou o presidente da CUT.
Sergio Nobre destaca que as ações e mobilizações nas ruas, nas redes, nos estados serão potencializadas para pressionar senadores e senadoras. “E nós vamos organizar atos de rua, panfletagem em pontos de concentração, em especial no comércio, onde a escala 6×1 é ainda mais cruel. Vamos fazer caravanas até esses pontos de concentração nos estados para que a população tenha conhecimento do que está acontecendo”, detalhou o dirigente.
Sessão especial
Não estão previstas sessões no Senado para as próximas duas semanas, mas, assim como o movimento sindical, o governo Lula e a bancada governista no Senado também estão trabalhando para que o presidente do Senado convoque uma sessão especial para analisar e votar a proposta da redução da jornada.
Para Sérgio Nobre, a convocação dessa sessão “depende da nossa pressão, depende da pressão popular, porque se os senadores forem cobrados nos estados, e serão, eles vão querer resolver essa situação”.
“Aonde esses parlamentares forem, serão questionados pelo nosso povo, que vai estar lá no pé deles, e terão que responder a isso na rua, nas urnas porque vamos colocar o povo pra cobrá-los. Vai pedir voto, o povo vai cobrar. Cadê a votação do fim da escala seis por um?”.
Nossa luta, destaca o presidente da CUT, agora, é fazer uma campanha, uma mobilização ampla e bem-feita para garantir a votação da PEC ainda este mês.







