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Conferência reúne sindicalismo da América Latina, Caribe e África em SP – CUT

redacao by redacao
27/08/2026
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Conferência reúne sindicalismo da América Latina, Caribe e África em SP – CUT
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Publicado: 26 Agosto, 2026 – 18h55 | Última modificação: 26 Agosto, 2026 – 20h46

Lideranças sindicais da América Latina, do Caribe e da África se reuniram nesta quarta-feira (26), em São Paulo, para discutir caminhos comuns em defesa da democracia, da paz e da justiça social. Realizada no auditório da APEOESP, a Conferência Política “Sindicalismo da América Latina e Caribe e África em Defesa da Democracia, da Paz e da Justiça Social” reuniu representantes das centrais e de movimentos sociais.

A atividade, foi organizada pela Central Sindical das Américas (CSA), pela Conferderação Sindical Internacional (CSI) e pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), com apoio do Gabinete para as Atividades dos Trabalhadores (ACTRAV-OIT). Ao final, foram aprovados documentos que incluem a Declaração de São Paulo, com compromissos para fortalecer a cooperação sindical entre as regiões.

Relações internacionais

Secretário de Relações Internacionais da CUT e presidente adjunto da CS), Antonio Lisboa afirmou que a aproximação entre trabalhadores e trabalhadoras da América Latina, do Caribe e da África responde a problemas compartilhados.

“É exatamente nesses dois continentes, nessas duas regiões, em que a exploração das novas formas de exploração capitalista é ainda mais forte”, disse Lisboa. “Continuar com essa estratégia é uma forma de enfrentar, de garantir a diminuição desse tipo de exploração e a organização dos trabalhadores dos dois continentes.”

O dirigente afirmou também que a eleição brasileira tem impacto para além do país, em um contexto de crescimento da extrema direita. “A eleição do Brasil não é uma eleição que impacta só no Brasil. A eleição do Brasil impacta no mundo inteiro”, declarou.

Pautas comuns

Secretária de Formação da CUT, Rosane Bertotti explicou que a conferência buscou identificar os pontos de convergência entre os trabalhadores e trabalhadoras das três regiões e discutir estratégias de ação conjunta.

“Quando a gente olha a necessidade dos trabalhadores africanos e as necessidades dos trabalhadores da América, muitos são iguais, com enfoques às vezes diferentes”, afirmou. “A ideia é saber quais são as estratégias que a gente pode traçar em conjunto.”

Rosane citou a violência contra as mulheres, os impactos da inteligência artificial, a formação, a juventude e a organização sindical entre os temas debatidos. Para ela, a defesa da democracia também exige enfrentar o racismo e reconhecer a dívida histórica do Brasil com os povos africanos.

“Não há democracia sem a gente reparar essas dívidas históricas. E não há democracia sem a gente ter um sindicato forte”, disse. “Não há sindicato forte se a gente não compreender que há lutas diferentes, que a gente precisa olhar o debate do racismo, compreender a vida das mulheres e o espaço da juventude.”

O secretário-geral da CUT, Renato Zulato, destacou o papel do intercâmbio entre as organizações. “Muitas coisas a gente faz junto, outras a gente tira ideias, propostas que eles trazem para dialogar aqui no Brasil, como nós apresentamos as nossas propostas”, afirmou.

Da declaração à ação

O secretário-geral da CSA, Rafael Freire, afirmou que a conferência é parte de uma aproximação que já vinha sendo construída entre a CSA e a CSI África. Segundo ele, a Declaração de São Paulo não se limita a uma análise da conjuntura, mas estabelece compromissos para a atuação conjunta.

“Nós não nos reunimos só para analisar, nós nos reunimos para preparar a nossa luta”, disse Rafael. O documento prevê iniciativas para fortalecer a organização sindical, defender o trabalho decente, ampliar a integração entre as regiões e enfrentar desafios como a inteligência artificial, a crise climática, o racismo, a violência contra as mulheres e a situação de trabalhadores migrantes.

Rafael também defendeu a aproximação entre sindicatos e movimentos sociais. “As alianças sociais para nós aqui da América Latina são estratégicas, faz parte da nossa ação sindical”, afirmou. “Nós queremos muito estimular o sindicalismo africano para avançar também na África nessas alianças sociais.”

Para Joel Odigie, secretário-geral da CSI África, a defesa da democracia precisa estar ligada à melhoria efetiva das condições de vida da população. “Democracia está entregando. O problema é que ela não está entregando para a maioria”, afirmou.

Joel destacou que a organização popular é necessária para enfrentar a desigualdade e a extrema direita. “Não é suficiente ganhar a eleição. É importante, mas muito mais crítico é ver como defendemos a vitória e como usamos a vitória para avançar políticas progressistas para o nosso povo.”

Diretor da ACTRAV-OIT, Oliver Röpke afirmou que a liberdade sindical e a negociação coletiva são condições para uma democracia efetiva. “Não haverá paz duradoura sem justiça social, dignidade e esperança”, disse.

Segundo Oliver, sindicatos livres, independentes e representativos são pilares da democracia. Ele defendeu que a organização sindical alcance também trabalhadores informais, jovens, mulheres, migrantes, trabalhadores rurais, domésticos e das novas economias digitais.

Ao apresentar a Declaração de São Paulo, Lisboa afirmou que o objetivo é transformar os compromissos firmados na conferência em iniciativas permanentes. “No próximo ano, quando nós nos reunirmos na África, nós não estaremos lançando nada. Nós estaremos fazendo um balanço do que nós conseguimos fazer de hoje para a frente.”

A atividade ainda contou com a participáção de vários movimentos sociais e centrais sindicais. Presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah defendeu a ampliação das alianças entre sindicatos, movimentos sociais e organizações populares da América Latina e da África. Ao falar sobre a construção de uma escola de organização feminista na África, ele relacionou a luta anticolonial, a defesa dos territórios e a justiça climática à construção de uma agenda comum entre os povos do Sul.

“A luta por justiça climática tem no seu centro, no seu coração, a luta por defesa dos territórios”, afirmou. Para Patah, a articulação também deve fortalecer a disputa por soberania digital, limitar o poder das corporações transnacionais e criar condições para que políticas voltadas à população sejam efetivadas. “Para mudar a vida das mulheres, a gente precisa mudar o mundo. Para mudar o mundo, a gente precisa mudar a vida das mulheres.”

Ricardo Patah citou a parceria da CSA com a Jornada Continental pela Democracia e contra o Neoliberalismo, a ALBA Movimentos e a Via Campesina. Ele também falou da construção de uma escola de organização feminista, chamada ITOS, que será realizada na África com orientação afrocentrada.

Ao relacionar essas iniciativas, Patah destacou a luta dos povos africanos e de sua diáspora, a defesa dos territórios quilombolas e a justiça climática. “A luta por justiça climática tem no seu centro, no seu coração, a luta por defesa dos territórios”, afirmou.

Representando a Força Sindical, Edson Bicalho defendeu a unidade entre as organizações africanas, a CSA e os movimentos sociais. Ele afirmou que a participação da sociedade civil deve ser considerada nos acordos comerciais e alertou para os efeitos da globalização, da precarização e do avanço da inteligência artificial sobre o emprego. “Só a solidariedade, a parceria entre nós que somos representantes da sociedade civil organizada é que vai fazer com que nós tenhamos a capacidade de dar um mundo melhor”, disse.

Mirian Nobre, integrante da Marcha Mundial das Mulheres, destacou a construção de uma escola de organização feminista que será realizada na África e terá orientação afrocentrada. A iniciativa reúne a Marcha, a Via Campesina, a Jornada Continental e outros movimentos.

“Para mudar a vida das mulheres, a gente precisa mudar o mundo. Para mudar o mundo, a gente precisa mudar a vida das mulheres”, afirmou.

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Fonte da matéria https://www.cut.org.br/noticias/conferencia-reune-sindicalismo-da-america-latina-caribe-e-africa-em-sp-d021

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