A greve dos ferroviários da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) entrou no segundo dia nesta quarta-feira (5), fortalecendo a resistência da categoria contra a política de privatizações do governador Tarcísio de Freitas. A paralisação nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade foi mantida após aprovação em assembleia e denuncia o desmonte do transporte público promovido pelo governo paulista.
Desde que Tarcísio entregou a operação das linhas à concessionária Trivia Trens, o sistema ferroviário passou a registrar uma sequência de falhas, atrasos, panes e episódios que colocaram em risco a vida de milhares de passageiros. O caso mais grave ocorreu em 23 de julho, quando um trem da Linha 12-Safira pegou fogo após um curto-circuito, obrigando usuários a abandonar a composição pelos trilhos em meio ao pânico.
Agora, reportagem da Agência Pública reforça o que os ferroviários denunciam desde o início do processo de privatização: o caos não foi obra do acaso, mas consequência direta da pressa do governo Tarcísio em entregar o patrimônio público à iniciativa privada.
Segundo a reportagem, trabalhadores da CPTM afirmam ter alertado previamente a concessionária sobre falhas na rede elétrica e sobre a falta de capacitação das equipes contratadas para operar o sistema. Ainda assim, os avisos teriam sido ignorados, contribuindo para o colapso que culminou no incêndio da Linha 12-Safira.
Os relatos também apontam que a empresa colocou mais trens em circulação sem adequar as subestações de energia, aumentando as sobrecargas no sistema elétrico. Além disso, para reduzir custos, teria diminuído o período de treinamento dos operadores, ampliado jornadas de trabalho e colocado profissionais sem experiência suficiente para assumir funções estratégicas.
O resultado, segundo trabalhadores ouvidos pela Agência Pública, foi uma sucessão de problemas operacionais: trens abrindo portas do lado errado das plataformas, composições deixando de parar em estações, ultrapassando sinais de parada e redução das equipes de apoio aos passageiros, prejudicando especialmente pessoas com deficiência.
As denúncias já chegaram aos órgãos de fiscalização. O Ministério Público do Trabalho investiga possível desvio de função de maquinistas da CPTM utilizados para treinar empregados da concessionária sem a devida formalização. O Ministério Público de São Paulo também instaurou investigação sobre o colapso operacional registrado após a privatização.
Para a CTB, os acontecimentos desmontam o discurso de que a privatização significaria mais eficiência e melhor qualidade no transporte público. Ao contrário, o governo Tarcísio de Freitas transformou um serviço essencial em laboratório para experiências privatistas que colocam o lucro acima da segurança da população e dos direitos dos trabalhadores.
A Central avalia que o governador é o principal responsável pela crise que hoje afeta o sistema ferroviário paulista. Ao insistir na entrega do patrimônio público à iniciativa privada, ignorando alertas de especialistas, trabalhadores e entidades sindicais, Tarcísio assumiu o risco de precarizar um serviço estratégico para milhões de pessoas. Os episódios registrados desde a concessão demonstram que quem paga a conta das privatizações são os usuários, submetidos ao caos diário, e os trabalhadores, ameaçados pela retirada de direitos e pela insegurança no emprego.
A CTB reafirma total solidariedade aos ferroviários e considera legítima a greve em defesa dos empregos, da reestatização das linhas e de um transporte público estatal, seguro, eficiente e de qualidade. A luta da categoria é também a luta de toda a população contra o desmonte dos serviços públicos promovido pelo governo de São Paulo.
Fonte da matéria https://mundosindical.com.br/Noticias/View.aspx?ID=69637








