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Com 10,5 mil postos a menos, emprego formal no jornalismo brasileiro encolheu quase 18% em 12 anos | Notícias

redacao by redacao
30/06/2026
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Com 10,5 mil postos a menos, emprego formal no jornalismo brasileiro encolheu quase 18% em 12 anos | Notícias
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O mercado formal de trabalho para profissionais do jornalismo no Brasil perdeu quase um em cada cinco postos desde o auge da categoria, registrado em 2013. Dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), elaborados com base na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), mostram que o país saiu de 60.899 vínculos formais naquele ano para 50.330 em 2025. A redução é de 10.569 postos de trabalho — uma queda de aproximadamente 17,4%.

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A série histórica indica que o crescimento do emprego formal no setor ocorreu até 2013, quando a categoria atingiu seu maior patamar. A partir daí, iniciou-se um processo contínuo de retração, interrompido apenas por pequenas oscilações em alguns períodos.

O levantamento do Dieese aponta que, embora tenha havido recuperação recente em relação a 2022 — com aumento de 3,9% no número de vínculos — o movimento ainda está distante de recompor as perdas acumuladas ao longo da última década. Desde 2015, a retração registrada foi de 12,5%.

Para a presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), Samira de Castro, os números revelam mudanças profundas no mundo do trabalho e reforçam a necessidade de fortalecer a proteção à categoria.

“Esses dados mostram uma transformação importante do mercado de trabalho do jornalismo. Não estamos falando apenas de uma redução de postos formais, mas também de um processo de precarização das relações de trabalho, com crescimento de formas de contratação mais instáveis e perda de direitos”, afirma.

A dirigente destaca que os números do emprego formal não capturam toda a realidade vivida pela categoria, especialmente diante do aumento de profissionais contratados como pessoa jurídica, trabalhadores autônomos e outras modalidades sem carteira assinada.

“Muitos profissionais continuam trabalhando, produzindo informação e sustentando o funcionamento dos veículos e das assessorias, mas fora das estatísticas do emprego formal. Isso cria um cenário de maior insegurança e fragilização das condições de trabalho”, avalia.

Entre os fatores que ajudam a explicar a mudança no mercado estão as transformações tecnológicas e a reconfiguração dos modelos de negócio da comunicação. O próprio estudo observa mudanças importantes nos setores tradicionais, especialmente nos segmentos ligados a jornais e revistas impressos, que perderam participação ao longo dos anos diante do avanço dos meios digitais.

Emprego se desloca para a administração pública

Os números mostram ainda que parte significativa dos empregos formais hoje se desloca para outras áreas de atuação. Em 2025, a administração pública tornou-se o principal grupo empregador dos profissionais do jornalismo, reunindo 26% dos vínculos registrados, seguida pelas atividades de televisão, com 20%.

Segundo Samira de Castro, esse cenário exige também debate sobre valorização profissional e condições dignas de trabalho.

“O jornalismo é uma atividade essencial para a democracia. Discutir a sustentabilidade da profissão significa discutir também a qualidade da informação que chega à sociedade”, diz a presidenta da FENAJ.

O Dieese alerta, porém, que mudanças metodológicas recentes da RAIS exigem cautela nas comparações históricas. Desde a adoção do sistema eSocial, houve ampliação da cobertura de registros, especialmente no setor público, o que pode afetar parte das análises. Além disso, os dados consideram apenas trabalhadores com carteira assinada, excluindo profissionais contratados como pessoa jurídica (PJ) e outras formas de vínculo não formal — modalidades que cresceram no mercado da comunicação nos últimos anos.

Mesmo com essas ressalvas, a trajetória observada pelo estudo reforça uma tendência: o jornalismo brasileiro passou por uma redução consistente dos empregos formais na última década, acompanhada por mudanças profundas na forma de contratação e organização do trabalho.

 





Fonte da matéria https://mundosindical.com.br/Noticias/View.aspx?ID=69392

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