As privatizações feitas pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, (Republicanos), já trouxeram graves prejuízos à população do estado como a da Sabesp, que resultou em contas altas de água, piora no saneamento e, até mortes por explosões. No transporte os atrasos de trens e do metrô fazem a vida do trabalhador e da trabalhadora uma saga para chegar ao trabalho. Tarcísio também quer entregar ao mercado as áreas de educação, o que levou milhares de estudantes às ruas ,num protesto contra o sucateamento das universidades públicas, enquanto professores do ensino básico denunciam a militarização das escolas – e a saúde.
A médica e diretora da Executiva Nacional da CUT, Juliana Salles, conta que vários serviços da área da saúde têm sofrido com precarização no atendimento à população.
“A gestão dos hospitais está sendo entregue cada vez mais de forma esquartejada, não de forma única, de forma completamente desorganizada, para as organizações sociais em terceiras ações”, diz Juliana.
Segundo ela, um exemplo bem claro é o Hospital Emilio Ribas, que tem algumas das suas unidades entregue à Fundação ABC, que não paga os seus trabalhadores em dia.
“A Fundação, inclusive, deixou recentemente vários trabalhadores sem salário. Além disso há médicos trabalhando sem a especialização e sem os requisitos adequados para aquela função, para aquele cargo, como intensivistas ou como infectologistas e isso para a população acaba sendo uma perda de qualidade muito grande”, denuncia a médica.
Diante deste descalabro, médicos e médicas do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo, realizam nesta terça-feira (26) uma paralisação em protesto contra o avanço da terceirização, o fechamento de leitos e a não convocação de profissionais aprovados em concurso público. O Emílio Ribas é referência em referência nacional e na América Latina na área de infectologia e tratamento de doenças infectocontagiosas, atendendo exclusivamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde), tem sido alvo de desmonte pelo governador do estado.
Organizado pela Associação dos Médicos do Instituto de Infectologia Emílio Ribas (AMIIER), o ato denuncia o que os trabalhadores classificam como um processo de precarização e desmonte de um dos principais hospitais públicos do país, referência nacional no enfrentamento de doenças infecciosas e epidemias.
A mobilização terá início às 9h, com uma oficina de cartazes, seguida por uma assembleia do corpo clínico às 11h. Depois da reunião, médicos e residentes caminharão pela Avenida Dr. Arnaldo até a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, onde entregarão uma carta aberta com reivindicações da categoria.
Segundo a AMIIER, a paralisação ocorre em resposta à ampliação da terceirização dentro do hospital, especialmente após a mudança implementada em abril deste ano, quando médicos terceirizados passaram a assumir dez leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) antes operados por profissionais concursados do Estado.
À imprensa, a presidenta da entidade, Claudia Mello, afirmou que a medida não ampliou a capacidade de atendimento do hospital, mas substituiu servidores públicos por contratos terceirizados.
A preocupação dos trabalhadores é agravada pelo prazo de validade do concurso público para médicos infectologistas, que expira em 21 de junho. Caso os aprovados não sejam convocados até essa data, o direito à nomeação será perdido, o que, segundo os profissionais, pode aprofundar ainda mais a falta de pessoal no hospital.
“Tem várias vagas de médicos abertas e não tem médicos suficientes para atender. Mas, não é porque não tem concurso, tem concurso aberto, ainda vigente, vai vencer só no mês que vem, inclusive, o Sindicato dos Médicos de São Paulo está entrando com mandado de segurança, porque tem vários colegas que passaram e o Estado simplesmente não chama os médicos concursados para participar, assim como e das outras profissões”, diz a médica e dirigente da CUT.
Emílio Ribas: falta de profissionais e leitos fechados
De acordo com a associação, a crise do Emílio Ribas não se limita às condições de trabalho. Os médicos alertam que a substituição de equipes concursadas por terceirizadas impacta diretamente a qualidade da assistência prestada à população.
A entidade sustenta que o modelo baseado em terceirização gera alta rotatividade de profissionais, dificulta a consolidação de equipes permanentes e compromete a especialização exigida em um hospital de alta complexidade voltado ao tratamento de doenças infecciosas.
Segundo a AMIIER, a convocação imediata de apenas 12 infectologistas aprovados em concurso seria suficiente para permitir a reabertura de 56 leitos atualmente fechados por falta de profissionais, apesar de já estarem estruturalmente prontos para funcionamento.
Os trabalhadores também apontam problemas históricos relacionados à precarização. Em carta pública divulgada no início de maio, a associação relembra que, em outubro do ano passado, profissionais de enfermagem terceirizados chegaram a ficar 50 dias sem receber salários, situação que levou ao bloqueio de dezenas de leitos no hospital.
Carta aberta denuncia “momento crítico”
No documento que será entregue à Secretaria de Saúde, os profissionais afirmam que o Emílio Ribas atravessa um “momento crítico” e denunciam o aprofundamento da terceirização, sobretudo em setores considerados estratégicos, como as UTIs.
A carta argumenta que a atual política de gestão do governo estadual ignora a existência de centenas de trabalhadores aprovados em concursos públicos e aptos a assumir os cargos vagos. Segundo a associação, há mais de 600 enfermeiros aprovados aguardando convocação, além de médicos e outros profissionais da saúde.
Entre as reivindicações imediatas apresentadas pelos trabalhadores estão a convocação dos aprovados em concursos vigentes, a substituição gradual de terceirizados por servidores concursados, o retorno dos plantões noturnos de fim de semana nas enfermarias com médicos do próprio hospital e a conclusão de obras estruturais que, segundo a entidade, se arrastam há mais de uma década.
“Defender o Emílio Ribas é defender a saúde pública. E essa responsabilidade é coletiva”, afirma trecho da carta aberta divulgada pela AMIIER.
Tarcísio nem negocia em relação ao Emílio Ribas nem aos outros hospitais estaduais que sofrem como o do Servidor, o HC. O governador nem nos recebe, ele não responde, o secretário Estadual de Saúde não responde aos nossos ofícios. A saúde pública de São Paulo não tem condições de atendimento, por não ter número de profissionais suficientes. Está muita ruim a situação
No Instagram a entidade explica à população o que vem acontecendo no Emílio Ribas.












