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Macrossetor Indústria da CUT abre seminário com debate sobre os fundamentos da IA – CUT

redacao by redacao
25/05/2026
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Macrossetor Indústria da CUT abre seminário com debate sobre os fundamentos da IA – CUT
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O Macrossetor da Indústria da CUT abriu nesta segunda-feira (25) o seminário sobre Inteligência Artificial (IA) – “Desafios à Negociação Coletiva”, com um debate voltado à compreensão dos fundamentos da tecnologia e seus impactos sobre o mundo do trabalho. A primeira mesa, “Inteligência Artificial: conceito, oportunidades e ameaças”, trouxe o professor Marcelo Graglia, da PUC-SP e do Observatório Brasileiro da Inteligência Artificial (OBIA), sob mediação de Waldeli Melleiro, da Fundação Friedrich Ebert (FES).

Realizado pelas confederações da CUT que representam os trabalhadores nos diversos setores da indústria, em parceria com a Fundação Friedrich Ebert (Fes), IndustriAll, Dieese e Instituto Trabalho, Indústria e Desenvolvimento (TID Brasil), o seminário foi aberto com a presença de representantes das entidades que reforçaram a necessidade de o movimento sindical se apropriar do debate sobre Inteligência Artificial para atuar de forma mais qualificada nas mesas de negociação coletiva.

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Coordenadora do Macrossetor Indústria e presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Ramo Vestuário (CNTRV), Cida Trajano destacou que o seminário busca ampliar o conhecimento dos dirigentes sobre um tema que já impacta a realidade da classe trabalhadora.

Roberto ParizottiRoberto Parizotti

“Esse seminário nos trará conhecimento, dados e relatórios para trabalharmos com mais companheiros e companheiras nas mesas e negociações e no dia a dia”, afirmou.

Segundo ela, a proposta é que o debate tenha sequência ao longo de 2026 e 2027, formando dirigentes sindicais capazes de compreender os impactos da IA sobre diferentes categorias profissionais.

Presidente da IndustriAll Brasil, Aroaldo Oliveira ressaltou que a Inteligência Artificial precisa ser debatida a partir de seus impactos sociais e trabalhistas, especialmente diante dos riscos de desemprego, precarização e aprofundamento das desigualdades.

“A IA pode ser parte central do debate dessas transições, mas ela precisa ser justa, inclusa e não excludente. A tecnologia não pode ser usada somente a favor das grandes corporações e deve servir “à sociedade e à classe trabalhadora”, disse o dirigente.

Representando o Dieese, Leandro Horie afirmou que a Inteligência Artificial já está sendo implementada nas empresas, independentemente da existência de regulamentação, o que torna urgente a preparação das entidades sindicais.

“A inteligência artificial está acontecendo regulamentada ou não. Se a gente não se apropriar disso, a gente vai estar muito defasado. Nas negociações coletivas tem sido um tema que, infelizmente, não tem sido atacado por nós adequadamente”, avaliou.

Presidente do TID Brasil, Rafael Marques defendeu que a CUT e seus ramos acompanhem de forma permanente as transformações provocadas pela tecnologia, comparando os efeitos potenciais da IA aos de outras inovações disruptivas da história.

“Esse debate de hoje aqui no mundo do trabalho, das negociações, como afeta o nosso emprego, como afeta a nossa vida, a nossa formação, a educação e a qualificação profissional, isso de fato é muito importante”, afirmou. Rafael

Representando a Fundação Friedrich Ebert Stiftung (FES), Jan Souverein chamou atenção para o risco de concentração de riqueza e poder político nas grandes empresas de tecnologia, defendendo regulação e participação sindical no debate internacional sobre governança da IA.

“O futuro do trabalho não pode ser definido exclusivamente por quem controla essas tecnologias”, afirmou. Segundo ele, os ganhos de produtividade precisam resultar em “mais bem-estar, mais justiça social e mais qualidade de vida para a população”.

Já o Secretário-Geral da CUT, Renato Zulato, afirmou que a discussão sobre IA deve estar vinculada ao debate sobre política industrial e negociação coletiva, sobretudo diante dos impactos sobre a produção e o emprego.

“A indústria ainda não sabe como lidar com essa situação. Se eles não sabem, eles precisam discutir com quem? Os trabalhadores”, disse.

Roberto ParizottiRoberto Parizotti

IA e as mudanças no mundo do trabalho

A primeira mesa do seminário teve como tema “Inteligência Artificial: conceito, oportunidades e ameaças”, com palestra do professor Marcelo Graglia, da PUC-SP e do Observatório Brasileiro da Inteligência Artificial (OBIA), e mediação de Waldeli Melleiro, da Fundação Friedrich Ebert Stiftung (FES), que ressaltou a importância de aprofundar a compreensão sobre um tema que já afeta a produção, os empregos e as relações de trabalho.

“É uma questão muito preocupante que a gente tem que se apropriar e urgente”, afirmou, ao comentar estudos que indicam forte impacto da IA sobre o mercado de trabalho brasileiro.

Durante sua exposição, Marcelo Graglia explicou conceitos básicos da Inteligência Artificial, apresentou os diferentes tipos de aplicação da tecnologia e alertou para os efeitos da automação sobre empregos, profissões e relações laborais.

Segundo ele, a IA não é uma novidade recente. Embora venha sendo desenvolvida desde a década de 1950, sua expansão só se tornou possível nos últimos anos devido ao aumento da capacidade computacional, da disponibilidade de dados digitais e do avanço dos sistemas de aprendizagem de máquina.

“A inteligência artificial não é uma tecnologia nova, é uma tecnologia que começou a ser desenvolvida lá na década de 1950. O que mudou é que desapareceram as barreiras técnicas para sua expansão”, explicou.

O pesquisador diferenciou três tipos principais de IA atualmente em desenvolvimento: a preditiva, usada em sistemas de recomendação e análise de dados; a generativa, capaz de produzir textos, imagens e conteúdos; e a agêntica, mais recente, voltada à execução automatizada de tarefas complexas.

Para Graglia, o principal desafio está na velocidade da transformação e na possibilidade de substituição de atividades humanas, inclusive em áreas que antes eram consideradas protegidas da automação.

“Não dá para imaginar que o futuro vai repetir o passado”, alertou. “A inteligência artificial tem uma característica de substituição do trabalho humano tremenda.”

Ao encerrar a primeira mesa, Marcelo Graglia resumiu o desafio colocado ao movimento sindical: compreender profundamente as transformações tecnológicas sem cair nem no entusiasmo acrítico nem no fatalismo.

“A tecnologia em si não é a nossa inimiga. A nossa inimiga é a nossa ignorância, a nossa indiferença e a nossa inércia”, concluiu.

Movimento sindical deve disputar os rumos da IA

Ao responder perguntas dos participantes, o professor Marcelo Graglia destacou que um dos principais desafios do movimento sindical diante do avanço da Inteligência Artificial é combinar formação, negociação coletiva e pressão por regulação, evitando tanto a rejeição automática quanto a adesão acrítica à tecnologia.

Segundo ele, o primeiro passo é ampliar o conhecimento dos trabalhadores sobre o funcionamento da IA, seus benefícios e riscos.

“A primeira coisa é explicar o que é aquilo para os trabalhadores”, afirmou, citando experiências internacionais de formação e conscientização. Para o pesquisador, sindicatos podem assumir papel protagonista na produção de conteúdos acessíveis, materiais informativos e ações de comunicação voltadas às diferentes categorias profissionais.

Para Graglia, o desafio colocado ao movimento sindical é disputar os rumos da tecnologia para que ela não amplie desigualdades e precarização, mas esteja subordinada aos interesses da sociedade e da classe trabalhadora.

Graglia também defendeu que as entidades sindicais atuem na qualificação profissional dos trabalhadores, embora tenha alertado que formação, sozinha, não resolve todos os impactos da automação.

“A qualificação está sendo colocada como o remédio que cura tudo. Não cura tudo, mas ela é absolutamente necessária”, afirmou.

Outro eixo apontado por ele é a negociação coletiva, com cláusulas específicas sobre o uso da Inteligência Artificial nas empresas. Entre as medidas possíveis, citou a criação de códigos de ética para uso da tecnologia e limites para decisões automatizadas.

“Você não pode usar exclusivamente IA para fazer avaliação de desempenho dos trabalhadores”, exemplificou, ao alertar para riscos de injustiça em sistemas baseados apenas em métricas quantitativas.

O pesquisador também defendeu maior incidência sindical sobre políticas públicas e regulamentação da tecnologia, além de alertar para o risco de a IA reproduzir desigualdades já existentes na sociedade.

“Se um banco de dados registrou racismo, o robozinho vai virar um robozinho racista”, disse, ao explicar que preconceitos presentes nos dados podem ser reproduzidos pelos algoritmos.

Para Graglia, o desafio colocado ao movimento sindical é disputar os rumos da tecnologia para que ela não amplie desigualdades e precarização, mas esteja subordinada aos interesses da sociedade e da classe trabalhadora.

Ao final da tarde do primeiro dia de seminário, a regulamentação da IA foi tema de uma mesa com a participação de Nilo Beiro, sócio de LBS Advogadas e Advogados e do Instituto Lavoro e Leandro Horie, do Dieese.

A cobertura e as informações sobre o segundo dia de debates estarão disponíveis no Portal CUT.



Fonte da matéria https://www.cut.org.br/noticias/macrossetor-industria-da-cut-abre-seminario-com-debate-sobre-os-fundamentos-da-i-df77

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