Representantes da CUT e das centrais sindicais entregaram nesta sexta-feira (22), ao ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil, Márcio Elias Rosa, a pauta da classe trabalhadora voltada ao desenvolvimento industrial, à valorização do trabalho e ao fortalecimento da negociação coletiva. A audiência ocorreu no escritório regional do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em São Paulo, e reuniu dirigentes sindicais para discutir políticas produtivas, cooperação internacional e os rumos da indústria nacional.
particiáram da audiência, o secretário-geral da CUT, Renato Zulato, o presidente da IndustriALL Brasil, Aroaldo Oliveira e representantes de outras centrais sindicais (CTB, UGT, Nova Central, Intersindical, CSB e Força Sindical), além de técnicos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
O encontro teve como objetivo apresentar ao ministro a pauta construída pelas centrais sindicais e discutir caminhos para fortalecer a política industrial brasileira, ampliando a participação dos trabalhadores no debate sobre desenvolvimento produtivo.
“A ideia foi entregar a pauta da classe trabalhadora para o ministro e reforçar todos os pontos discutidos, sobretudo em relação ao projeto de desenvolvimento nacional e à valorização da negociação coletiva”, afirmou.
De acordo com ele, a audiência também permitiu às centrais apresentar preocupações sobre os impactos do desmonte de direitos trabalhistas nos últimos anos, além da necessidade de fortalecer a democracia, a organização sindical e os mecanismos de negociação coletiva.
Aroaldo destacou ainda que as centrais defenderam a ampliação do diálogo entre governo e movimento sindical para que os trabalhadores tenham papel mais ativo na formulação e acompanhamento das políticas industriais.
“Houve uma discussão sobre a importância do processo democrático, do impacto do desmonte dos direitos que tivemos nos últimos anos e da necessidade de fortalecer esse debate, ampliando direitos e a organização efetiva dos trabalhadores”, explicou.
Em pauta a política industrial e o movimento sindical
Entre os principais encaminhamentos apresentados ao ministro, CUT e centrais propuseram a realização de um grande encontro nacional entre o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e dirigentes sindicais para aprofundar a compreensão da política industrial atualmente em curso no país.
A avaliação das centrais é que os trabalhadores precisam se apropriar mais dos debates estruturantes sobre desenvolvimento produtivo, inclusive das políticas setoriais e dos mecanismos públicos de financiamento.
“Nós propusemos ao ministro um grande encontro do movimento sindical com o Ministério da Indústria para que os dirigentes sindicais se apropriem da política industrial vigente no Brasil”, disse Aroaldo.
Segundo ele, a proposta envolve não apenas a compreensão da estratégia macro da indústria nacional, como a Nova Indústria Brasil (NIB), mas também das políticas setoriais desenvolvidas por diferentes áreas do governo federal, como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e iniciativas relacionadas à transformação ecológica.
Aroaldo argumenta que esse debate precisa chegar à base sindical para que trabalhadores compreendam os impactos concretos dessas políticas sobre emprego, renda, cadeias produtivas e desenvolvimento regional.
“Neste momento há várias discussões de políticas setoriais e regimes especiais sendo debatidos. Os trabalhadores precisam saber e se apropriar mais desse debate”, afirmou.
Para ele, um dos desafios é ampliar a participação de setores que, muitas vezes, ficam à margem das discussões mais amplas sobre política industrial.
“Precisamos aprofundar esse debate, especialmente olhando para setores que às vezes não estão participando dessa discussão mais macro da política industrial”, acrescentou.
Pauta também trata de financiamento, inovação e defesa da indústria
Outro eixo apresentado pelas centrais envolve a ampliação do conhecimento dos dirigentes sindicais sobre os instrumentos públicos de financiamento e fomento ao desenvolvimento industrial.
Entre os mecanismos citados estão linhas e programas do BNDES, da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), considerados estratégicos para impulsionar inovação, reindustrialização e geração de empregos de qualidade.
A proposta, segundo Aroaldo, é criar processos formativos e jornadas de debate para que o movimento sindical compreenda melhor o funcionamento desses instrumentos e possa intervir de forma mais qualificada nas discussões econômicas.
“Também propusemos que os dirigentes sindicais se apropriem desses instrumentos de financiamento e fomento, compreendam melhor os mecanismos disponíveis e possam participar mais ativamente desse processo”, explicou.
Além do financiamento, as centrais defenderam maior envolvimento do sindicalismo nas discussões sobre comércio internacional e proteção da indústria nacional.
Acordos comerciais e defesa do emprego
A pauta também incluiu debates sobre cooperação econômica internacional, acordos comerciais e mecanismos de defesa da indústria brasileira diante da concorrência externa.
Segundo Aroaldo, o movimento sindical quer aprofundar o acompanhamento de negociações internacionais, como o acordo entre Mercosul e União Europeia, além das relações comerciais do Brasil com a China e outros parceiros estratégicos.
A preocupação envolve não apenas oportunidades de desenvolvimento, mas também instrumentos de defesa comercial para proteger setores produtivos e empregos nacionais.
“Os dirigentes sindicais também precisam se apropriar dos mecanismos de defesa comercial que o Brasil vem utilizando”, afirmou.
Nesse contexto, Aroaldo citou preocupações com medidas adotadas em governos anteriores, especialmente em relação a alterações tarifárias e mecanismos de importação que, na avaliação do movimento sindical, impactaram negativamente segmentos industriais brasileiros.
Expectativa sobre a continuidade do diálogo
Embora a audiência tenha servido para formalizar propostas das centrais sindicais, Aroaldo afirmou que há expectativa positiva quanto aos próximos passos, sobretudo pelo compromisso assumido pelo ministro em aprofundar o diálogo e envolver outras áreas do governo.
Segundo ele, Márcio Elias Rosa se comprometeu a avançar na construção dos encontros propostos e também indicou a necessidade de fortalecer uma articulação entre União e estados para impulsionar políticas industriais regionais.
“A gente tem expectativa porque o ministro se comprometeu em fazer o evento, em realizar essas jornadas sobre financiamento e comércio exterior e também aprofundar esse debate olhando os estados”, disse.
Durante a reunião, Renato Zulato destacou a importância de uma articulação interfederativa mais robusta para o desenvolvimento industrial. A avaliação apresentada pela CUT é que, embora haja esforço do governo federal para fortalecer a indústria nacional, nem todos os estados acompanham essa agenda.
Aroaldo citou o caso de São Paulo — estado que concentra parte significativa da atividade industrial do país — como exemplo da necessidade de maior protagonismo estadual na formulação de políticas industriais.
Para ele, fortalecer esse debate é estratégico para garantir desenvolvimento econômico, proteção ao emprego, valorização do trabalho e participação efetiva da classe trabalhadora nas decisões sobre os rumos produtivos do país.
“A gente precisa aprofundar o debate da política industrial, tanto na discussão estruturante quanto nas políticas setoriais”, concluiu Aroaldo.












