Publicado: 04 Junho, 2026 – 15h44 | Última modificação: 04 Junho, 2026 – 16h00
A campanha permanente de combate ao feminicídio da CUT, lançada nacionalmente em maio deste ano, foi apresentada aos participantes do 7º Encontro Nacional do Coletivo LGBTQIA+ da CUT, que acontece até o dia 7 de junho, na sede da APEOESP, em São Paulo. Com o lema “Pela vida das mulheres, a luta é de todos”, a iniciativa busca transformar o enfrentamento à violência de gênero em uma ação permanente do movimento sindical, incorporada às negociações coletivas, à formação de dirigentes e à atuação cotidiana dos sindicatos.
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A apresentação foi feita por Mara Feltes, secretária adjunta da Mulher Trabalhadora da CUT, que participou remotamente e por Sueli Adriano, secretária de Finanças da CUT Santa Catarina e integrante do coletivo LGBTQIA+ da Central.
Ao apresentar a campanha, Mara destacou que o crescimento dos casos de feminicídio exige uma resposta permanente da classe trabalhadora organizada. Segundo ela, a violência contra as mulheres não pode ser tratada apenas como um tema pontual ou restrito às datas do calendário feminista.
“Nós não podemos normalizar a violência porque parece assim: morreu. Começa a ficar tão cotidiano que daqui a pouco as pessoas não se sensibilizam mais”, afirmou.
A dirigente explicou que a campanha nasceu da compreensão de que o mundo do trabalho precisa assumir responsabilidade direta na prevenção e no acolhimento das vítimas. Para isso, a CUT propõe que sindicatos e entidades filiadas incorporem cláusulas específicas de proteção às mulheres nos acordos e convenções coletivas.
Entre as medidas defendidas estão a garantia de estabilidade no emprego para trabalhadoras que possuem medidas protetivas, protocolos de acolhimento nos locais de trabalho e mecanismos que permitam a transferência de vítimas para unidades onde possam estar mais protegidas de seus agressores.
“Nós temos que levar para a pauta de negociação a violência de gênero. São cláusulas tão importantes quanto o reajuste salarial, porque são cláusulas de preservação da vida das mulheres”, defendeu Mara.
A campanha também prevê a formação de dirigentes sindicais, delegados de base, cipeiros e militantes para identificar sinais de violência e orientar trabalhadoras sobre os serviços de proteção disponíveis. Outro objetivo é transformar os sindicatos em espaços de acolhimento e referência para mulheres em situação de violência.
“A mulher que sofre violência tem que enxergar o sindicato como um lugar onde ela pode pedir ajuda”, afirmou.
Mulheres trans também estão no centro da campanha
Durante sua intervenção, Mara ressaltou que a campanha parte de uma compreensão ampla da violência de gênero e incorpora uma perspectiva interseccional, reconhecendo os impactos específicos sofridos pela população LGBTQIA+.
A dirigente destacou o aprendizado acumulado pela Secretaria Nacional da Mulher Trabalhadora junto aos movimentos de mulheres trans e lésbicas.
“Eu tenho aprendido muito no Conselho Nacional com as entidades que representam as mulheres trans, as mulheres lésbicas. Tenho um aprendizado muito grande e estou cada vez mais convencida do nosso compromisso”, afirmou.
Ao defender que a luta contra o feminicídio dialogue com todas as formas de violência de gênero, Mara também chamou atenção para as agressões e tentativas de “correção” sofridas por pessoas LGBTQIA+.
“Nós sabemos muito bem o sofrimento que a comunidade LGBTQIA+ passa. O sofrimento que existe é avassalador”, disse.
A relação entre feminicídio, transfobia e violência política também apareceu no debate. Participantes do encontro lembraram que mulheres trans, travestis, lésbicas e bissexuais frequentemente enfrentam invisibilidade e violência mesmo dentro dos espaços institucionais.
Rede de proteção da CUT
Para Sueli Adriano, a apresentação da campanha durante o encontro do coletivo LGBTQIA+ reforça a necessidade de integrar diferentes lutas travadas pela classe trabalhadora.
A dirigente destacou a importância da ocupação dos conselhos de direitos, espaços de formulação de políticas públicas e instâncias de controle social para garantir atendimento adequado às mulheres e à população LGBTQIA+.
“Se nós não participarmos desses conselhos, nós não teremos nenhuma pauta em defesa das nossas vidas”, afirmou.
Sueli também defendeu que as ações de prevenção e acolhimento cheguem aos territórios mais vulneráveis, especialmente às periferias, onde muitas mulheres convivem diariamente com situações de violência.
Sueli Adriano | Arquivo pessoal
A campanha da CUT está estruturada em quatro eixos: formação e capacitação; comunicação e visibilidade; mobilização e engajamento; e organização institucional. A proposta é que todas as entidades filiadas realizem atividades próprias de lançamento e incorporem o tema às suas ações sindicais permanentes.
Ao encerrar sua participação, Mara resumiu o objetivo da iniciativa. “O resultado que nós esperamos é que tenhamos ambientes sindicais e de trabalho transformados em espaços seguros, com lideranças preparadas para salvar vidas e protocolos permanentes estabelecidos”, disse a dirigente reforçando que a iniciativa pretende consolidar uma rede sindical de proteção capaz de acolher mulheres em situação de violência, fortalecer políticas públicas e contribuir para reduzir os índices de feminicídio no país, incluindo as violências que atingem mulheres trans e demais integrantes da comunidade LGBTQIA+.
Ao final da apresentação, diversas orientações foram compartlihadas com o coletivo, tendo como base a operação da campanha, entre elas:
- Institucionalização na negociação coletiva: A CUT propõe a inclusão de cláusulas específicas em acordos e convenções coletivas que garantam prevenção, acolhimento e proteção às trabalhadoras, como estabilidade no emprego para vítimas sob medida protetiva.
- Formação e capacitação: Preparar dirigentes sindicais, delegados e militantes para identificar sinais de violência e orientar as mulheres para as redes de proteção adequadas.
- Sindicatos como rede de acolhimento: Transformar as sedes sindicais em espaços seguros onde as trabalhadoras possam buscar ajuda jurídica e apoio sem julgamentos.
- Interseccionalidade: Reconhecer que a violência atinge de forma mais cruel as mulheres negras, periféricas e a comunidade LGBTQIA+, integrando o combate ao feminicídio às lutas antirracista e contra a exclusão social.
- Engajamento masculino: A campanha enfatiza que o combate ao machismo é uma responsabilidade também dos homens, já que eles são os principais agressores e precisam assumir um papel ativo na desconstrução da cultura de violência











