União Soviética venceu seis das nove olimpíadas de que participou

 

A União Soviética em dez olimpíadas que disputou, entre 1952 (Helsinque) e 1988 (Seul), conquistou a primeira posição no quadro de medalhas em seis oportunidades, superando os Estados Unidos no confronto direto pela hegemonia olímpica. Paralelamente a esse feito, nos jogos olímpicos de inverno, que ocorrem dois anos antes dos de verão, a URSS foi primeira colocada em sete de nove jogos de que participou.

A União Soviética superou os Estados Unidos no quadro geral das olimpíadas

 

A partir da Revolução Russa de outubro de 1917, dezenas de países iniciaram um longo processo de boicote, velado ou armado, à Rússia socialista e, posteriormente, à URSS, nos terrenos econômico, político e, até mesmo esportivo. Em 1920, o Comitê Olímpico Internacional (COI) excluiu a delegação russa dos Jogos Olímpicos de Antuérpia, na Bélgica, junto com os países derrotados na Primeira Grande Guerra. Porém, a URSS trabalhava para se tornar um país industrializado, buscando uma economia socialista pujante. Na edificação dos direitos da classe trabalhadora, o acesso ao esporte foi garantido à população. Entre as décadas de 1920 e 1940, ocorreram as Olimpíadas Operárias e as Espartaquíadas, que reuniram delegações de atletas trabalhadores de várias cidades, num clima de confraternização e consciência social.

 

A gigantesca vitória da URSS na Segunda Grande Guerra a colocou e obrigou o COI a rever sua política segregacionista em relação aos soviéticos. Nos Jogos de Londres, em 1948, a URSS foi convidada, porém ainda estava se recuperando dos desastres provocados pela Alemanha nazista durante o conflito, e não pôde participar. Em Helsinque, em 1952, a URSS inicia sua participação em Olimpíadas, alcançando a segunda colocação, com 71 medalhas, sendo 22 de ouro. 

 

A partir de 1956, nos jogos de Melbourne, nos quais a delegação soviética conquistou 98 medalhas, sendo 37 de ouro, a URSS começa a mostrar ao mundo o potencial que os esportes podem alcançar em pátrias socialistas. Em 1956 destacou-se o imponente ouro no futebol olímpico conquistado pela seleção soviética.

 

Em 1960, em Roma, a URSS conquista 103 medalhas, sendo 43 de ouro, e, pela segunda vez, é a primeira colocada dos jogos olímpicos. Em 1964, em Tóquio, a URSS obtém o maior número de medalhas, 96, conquistando 30 ouros, mas fica atrás dos EUA na quantidade de medalhas douradas (os norte-americanos conquistaram 36).

 

Em Munique, 1972, a URSS voltou a ocupar o primeiro lugar no quadro de medalhas, conquistando 50 ouros e 99 medalhas no total. Destacou-se a histórica vitória do basquete soviético, vencendo o até então imbatível time dos EUA, no último segundo da partida.

Na final dos Jogos Olímpicos, o esporte da bola laranja colocava frente a frente Estados Unidos e União Soviética, as duas principais potências mundiais, em plena Guerra Fria. Na época, os norte-americanos, que haviam conquistado todos os sete títulos olímpicos disputados, enfrentavam a segunda força da modalidade e grande rival. O duelo de basquete chegou muito equilibrado aos segundos finais e com placar extremamente apertado os soviéticos venceram os estadunidenses por 51 a 50.

 

Em Montreal, em 1976, a URSS conquistou 49 ouros, de um total de 125 medalhas, ficando mais uma vez na ponta de cima do quadro de medalhas. A delegação da Alemanha Oriental surpreendeu o mundo ao ficar à frente dos EUA no número de medalhas, levando 40 ouros para casa, enquanto que os estadunidenses ficaram em terceiro, conquistando 34 medalhas douradas.

 

A memorável Olimpíada de Moscou, em 1980, marcou gerações. Apesar do boicote dos EUA e de vários países aliados, entre eles várias ditaduras militares, como a Argentina – por conta do socorro prestado pelo Exército Vermelho, no ano anterior, ao governo afegão, que lutava contra grupos terroristas –, os Jogos de Moscou foram um verdadeiro sucesso, sendo considerado pelo COI “como modelo a ser seguido a partir de então”. O evento reuniu 80 países e mais de cinco mil atletas. A URSS conquistou 195 medalhas, sendo 80 de ouro, tendo mais uma vez a Alemanha Oriental na segunda posição, com 47 ouros. A famosa cena do ursinho Misha chorando, na cerimônia de encerramento dos Jogos, se tornou um símbolo olímpico.

 

Em 1984, nos Jogos de Los Angeles, diante do agravamento do quadro de perseguição aos comunistas promovido pelo governo neoliberal de Ronald Reagan, o Comitê Olímpico Soviético decidiu não participar. Alemanha Oriental e Cuba, duas potências olímpicas, seguiram a URSS e boicotaram os Jogos.

 

Em sua última participação, nos Jogos Olímpicos de Seul, em 1988, mais uma vez o bloco socialista demonstrou seu enorme potencial esportivo, com a URSS levando para casa 132 medalhas, sendo incríveis 55 ouros, ficando em primeiro lugar seguida pela Alemanha Oriental, que conquistou 37 ouros e 102 medalhas, enquanto que os EUA, mais uma vez, ocuparam a terceira posição, com 36 ouros e 95 no geral. 

 

Ainda mantendo parte do legado esportivo soviético, a delegação dos países da ex-URSS, agrupados sob a bandeira da CEI (Comunidade dos Estados Independentes, com exceção dos países bálticos), manteve a primeira posição nos Jogos Olímpicos de 1992, em Barcelona, levando 112 medalhas, sendo 45 de ouro.

 

Três dos cinco maiores medalhistas olímpicos de todos os tempos disputaram os jogos com o uniforme soviético. Larissa Latynina (18 medalhas/1952-1964), Nikolai Andrianov (15 medalhas/1972-1980) e Boris Shakhlin (13 medalhas/1956-1964), que disputavam as provas de ginástica, surpreenderam o mundo com extraordinário talento, e Larissa foi, por mais de 40 anos, a atleta com mais medalhas da história, sendo superada recentemente pelo nadador Michael Phelps, porém continua sendo a mulher com mais medalhas olímpicas.

 

Nos anos em que a União Soviética participava da Olimpíada como um único comitê olímpico nacional e disputou com os Estados Unidos (oito jogos olímpicos), ela ocupou o primeiro lugar no quadro de medalhas em 1956, 1960, 1972, 1976 e 1988. Os norte-americanos foram vitoriosos apenas em 1952, 1964 e 1968. 
*Excetuando-se as olimpíadas de Moscou e Los Angeles respectivamente boicotadas por cada qual.