Supervia, reestatize já

 

Supervia: contra o sucateamento do serviço público de transporte, reestatize já!

Por Lucas Alvares

 

 

Em março de 1971, o presidente norte-americano Richard Nixon (Partido Republicano) estatizou, com a autorização do Congresso de seu país, as ferrovias de passageiros em todo o território dos Estados Unidos.

 

Em maio de 2007, por força de Lei Federal sancionada pelo então presidente Lula (PT), a Rede Ferroviária Federal foi oficialmente extinta, após 25 anos de desmonte (iniciados no governo João Figueiredo, com o desmembramento da CBTU, a parte de transporte de passageiros, já com vistas à privatização) e um imundo processo de entrega de lucrativos ramais de transporte de cargas empreendido por Fernando Henrique Cardoso, processo esse que está na raiz do "apagão logístico" que o Brasil vive nos dias de hoje.

 

"Mais realistas do que o rei", os neoliberais brasileiros desconsideram um elemento básico: em qualquer lugar do mundo, o transporte ferroviário de passageiros é desestimulante enquanto negócio, propósito que - aliás - levou à desistência das centenárias companhias ferroviárias norte-americanas, tão estudadas pelos economistas clássicos, e à estatização do serviço por Nixon. Os altíssimos investimentos em infraestrutura não são remunerados pelas tarifas.

 

A Supervia, concessionária do transporte ferroviário de passageiros no Rio de Janeiro há vinte anos, é controlada por uma subsidiária da Odebrecht desde 2010, contabiliza R$ 1,3 bilhão em dívidas (embora registre, curiosamente, lucro de R$ 28 milhões em 2017, talvez oriundo de "outras atividades" do grupo empresarial), presta péssimos serviços à população e só não pôs em colapso o sistema ferroviário do RJ pois o Governo do Estado do Rio de Janeiro investiu o dinheiro que não tinha na compra bilionária de mais de 100 composições chinesas, incorporadas à malha desde 2011.

 

Não conseguimos compreender o que fazem empresários em uma atividade econômica de baixa ou nenhuma lucratividade e enorme endividamento. Por isso, defendemos - para o cumprimento da função estratégica da mobilidade urbana - a reestatização dos ramais ferroviários de passageiros no Brasil, com o fortalecimento da CBTU, que deverá reassumir também os ramais hoje sob controle de companhias públicas estaduais.

 

Tão complexa e antieconômica quanto estratégica, uma atividade dessa monta só pode ser exercida pelo Estado. Pague as multas da Agetransp, Supervia! Reestatize, já!

 

Lucas Alvares,

Doutorando em Memória Social e Presidente da FNT - Frente Nacional Trabalhista