O complexo de vira-latas dentro da cúpula militar, por André Nunes

 

É inegável que boa parte do alto oficialato brasileiro é doutrinado pela Escola das Américas* para seguir a ordem ocidental (onde somos colônia fornecedora de matérias primas) e do Consenso de Washington.

 

 

As declarações do general Braga Netto sobre a Petrobras e Eletrobras são inadmissíveis. O nível de viralatismo do general que faz coro pela privatização das duas gigantes de energia é deprimente, demonstraram que o general é mais um vendilhão da pátria de farda.

 

Braga Netto disse que a privatização da Petrobras e Eletrobras "não afetam a soberania nacional". Então general, por que cargas d'água todos os países centrais mantém estrito controle estatal de suas empresas de petróleo e energia, inclusive explorando petróleo em outros países com suas empresas estatais? Exatamente porque energia está diretamente ligada com produção, defesa e soberania nacional.

 

Já o ex-capitão, atual presidente e biruta de aeroporto Jair Bolsonaro, que nem para militar prestou, pois saiu escorraçado do Exército, é a antítese de um Chefe de Estado, em mais uma de suas declarações insanas soltou a pérola de que deveria privatizar a Petrobras "porque só dá dor de cabeça". É um não presidente, não quer governar, não quer se dar ao trabalho de tomar as rédeas da nação, prefere entregar tudo aos grandes barões do capital especulativo.

 

Em 08/01/2022, o general Joaquim Silva e Luna, em entrevista ao jornal Estado de São Paulo, afirmou que a Petrobras não tem condições de controlar ou reduzir o preço dos combustíveis porque “o que regula o preço é o mercado”. Ou seja, o general, desconsiderando que o atual governo permite a privatização de refinarias, tornando o país cada mais dependente do refino no exterior e de refinarias privadas que formam verdadeiros cartéis, afirma que a Petrobras vai continuar servindo aos ditames do “mercado” ao invés de servir o povo brasileiro. Silva e Luna e seu patrão Bolsonaro vão continuar orientando a política de preços dos combustíveis à revelia do povo, para favorecer 0,01% da população. Segundo o general “a empresa tem que prestar contas ao investidor”.

 

A reforma que o Brasil precisa é a reforma das forças armadas, uma nova filosofia e orientação que prime pela independência nas relações exteriores e pela proteção do patrimônio público nacional contra qualquer rapinagem estrangeira. 

 

Não devemos fazer coro com a "esquerda" liberal nem com ultraliberais de direita, ambos espectros desejam o fim das forças armadas para enfraquecer ainda mais as possibilidades do Brasil emergir como Estado-Nação. Entretanto, quem não tem vocação para devoto de militar percebe que a reforma da instituição é necessária e urgente.


 

André Nunes

11/01/2022

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Fontes:

https://www.cnnbrasil.com.br/business/bolsonaro-diz-que-petrobras-so-da-dor-de-cabeca-e-atua-para-acionistas/

 

https://valor.globo.com/brasil/noticia/2021/10/27/para-braga-netto-privatizacoes-de-eletrobras-e-petrobras-em-nada-afetam-a-soberania-nacional.ghtml

 

https://www.poder360.com.br/economia/papel-da-petrobras-nao-e-fazer-politica-publica-diz-silva-e-luna/

 

*Em 2001 a Escola das Américas foi renomeada para Western Hemisphere Institute for Security Cooperation (WHINSEC). (Instituto do Hemisfério Ocidental para a Cooperação em Segurança, em português).